quarta-feira, 25 de março de 2009

Adeus, André Xavier!!!

Me condoou de tristeza com o desaparecimento do amigo André Xavier. Ele nunca foi muito de falar de si e, confesso, sabia muito pouco do implacável câncer que o venceu hoje. André era um cara genioso, mas altamente companheiro. Lembranças vivas ficam na memória, especialmente as de quando trabalhamos juntos.

Certa vez passamos dois meses em Pontes e Lacerda, na campanha que elegeu pela primeira vez o prefeito Newton Miotto.

Pra descontrair, Xavier arranhava muito bem um violão, chegando a dar até canjas nos bares de Lacerda.

Um cara que falava pouco, pensava muito e extremamente sóbrio em suas convicções. Um amigo que, apesar do câncer e da timidez buscava sempre sorrir.


Descanse em paz, André...valeu por tudo!!!


Bem, posto aqui um poema do Drummond, que traduz esse pesar:

A Um Ausente

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si,o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,de nossa convivência em falas camaradas,simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.