segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Blairo e o Telhado De Vitto


Com cara de espanto vi certa vez o governador Blairo Maggi, me perguntar o que eu achava do governo dele. Isso ainda era lá nos idos dos primeiros passos, primeiros anos da primeira gestão dele à frente do Palácio Paiaguás. Foi durante a Expedição Estradeiro 2, em fevereiro de 2004.

Espanto porque não esperava que o chefe do Executivo iria querer saber a opinião de um jornalista que quase sempre o indagava sobre temas polêmicos, como a redução do ICMS sobre energia e a telefonia; sobre um tal Fundo da Pobreza, uma espécie de caixa financeiro no valor de R$ 70 milhões. Aliás, projeto do Executivo, claro, aprovado pela Assembléia Legislativa e que ficaria sob a gerência direta do governador.

Por sinal, uma boa pergunta a ser fazer agora é justamente: que fim levou o tal Fundo da Pobreza? Afinal, os nossos pobres continuam pobres... uns mais, outros menos, mas ainda faltam trabalho e comida pra muita gente no Estado e a dona Setecs sabe bem disso.

Mas o que quero abordar mesmo aqui é aquele nostálgico tempo em que o governador ainda calçava a botina da humildade. Acho que ele ouvia mais, aceitava mais opiniões, especialmente de jornalistas, apesar de eu, particularmente não ter respondido muita coisa quando pediu minha avaliação de sua performance.

Lembro bem que, sob Geraldo Gonçalves na SECOM, o governador recebia em seu gabinete, sempre ás terças-feiras, 17 horas, os jornalistas de Mato Grosso para uma espécie de conversa aberta, bate-papo, entrevista informal...

Recordo ainda daqueles almoços que Maggi dava à imprensa, vez ou outra naquela farta mesa giratória onde ele almoça todo dia com outros tantos não menos importantes.

Pois bem, os anos se passaram, acabaram-se os bate-papos das terças, rango regado a jornalistas também se foi, Blairo foi reeleito e é chegado o momento mais delicado de sua gestão: a reta final.

Delicado porque quando tudo parecia que o tal chavão “fechar com chave de ouro” iria prevalecer, eis que surge um mega fiasco: o maior concurso público do mundo naufraga. Ao menos num primeiro momento.

Não tenho dúvidas de que, com as novas datas, as tais provas sejam feitas e que tudo enfim transcorra bem. Mas que houve um desgaste houve...e gigantesco.

E a culpa é de quem mesmo? Do intocável Geraldo De Vitto, suponho.

O complexo de Clark Kent [super man à paisana] deu a este secretário uma enorme sensação de absolutismo, ao ponto de ele achar que nunca erraria. Mas errou! E logo quando o chefe dele corria para o senado, digo, para o abraço, aos 45 minutos do segundo tempo.

De Vitto foi inabilidoso com um assunto que envolveu mais de duzentos mil destinos.
E não foi só isso não. Tive a oportunidade de reportar que, dez entre dez policiais civis ou militares de Mato Grosso, por exemplo, sabem quão amarga foi cada tentativa de negociação salarial com o homem da SAD, o terror dos sindicatos de servidores públicos.

Até o pessoal da arrecadação tributária, que por razões óbvias é menina dos olhos do governador, andou penando pra ter a oportunidade de sentar à mesa com o secretário...

Bem, mas além obviamente de ser de Rondonópolis, De Vitto tem qualidades também, acredito. Porque senão, não ficaria tanto tempo num setor tão sério como o administrativo do Estado. Ou ficaria?

Ano em que a Câmara deu-se mal


Chamei de mau gosto o que vi durante quase dez horas a fio dia desses, exprimido naquele cubículo que fede a mofo, que a Câmara Municipal de Cuiabá insiste em chamar de ‘espaço da imprensa’.

Era julgamento da perda de mandato do ex-presidente da Casa, Lutero Ponce, por um monte de falcatruas.

O rapaz foi degolado em meio àquela arena, para o delírio da força popular que lotava, ávida as galerias daquela Casa de Leis [sic].

Mesmíssimo ritual que pôs fim à precoce trajetória política do ex-vereador Ralf Leite, um rebelde sem causa, que dava calote em travesti, batia na namorada e depois juntava alguns colegas de copo e de cruz e seguia, geralmente aos domingos [ com ‘d’ minúsculo ou maiúsculo] para o Manso, esfriar a cabeça, porque ninguém é ferro.

Duas cassações num só ano, numa só legislatura, fato histórico nas dezenas de anos do legislativo cuiabano.

O presidente Deucimar, comemora tudo isso, que ele chama ,aliás, de fruto do seu árduo trabalho de fiscalizador da coisa pública. Mas não faz questão nenhuma de lembrar que a metralhadora giratória de seus presididos está, agora mirando bem no meio da própria testa.

Que o presidente pode ser a próxima bola da vez, todos sabemos, afinal o rapaz nem terá muito tempo para brindar a desgraça do desafeto e antecessor e já vai começar a juntar argumentos capazes de provar a lisura de seus cartõesinhos e outros atos tidos como secretos.

É mais uma CPI, criada pela imaginação fértil daqueles que se prestam ao ridículo papel de entediar a opinião pública, só criando comissões e nada de legislar.

Aliás, essa CPI aí, que nem sei o nome direito, mas que vai tentar explicitar todos os podres do presidente, se é que ele os tem, nasceu mesmo foi da mente brilhante de um rapaz chamado Chico 2000, amigo de primeira hora do já citado Lutero Ponce.

O curioso nisso tudo é como essa CPI surgiu, assim do nada. Bastou um vento do norte soprar que a Saúde Pública tinha argumento de sobra para virar uma CPI, que o Chico, amigo do Lutero, apresentou com êxito, o pedido para instalação da sua Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele queria mesmo era salvar a pele do colega do PMDB e agora pode ver a CPI dele esvaziada, por ser ele, o único opositor dentro da nova e natimorta Comissão.

Resultado: a CPI dos “Cartõezinhos do Deucimar” virou, e a CPI da vergonhosa saúde pública de Cuiabá, não virou.

Aliás, não virou e muito disso graças ao próprio Deucimar, que não quis assinar o requerimento do Lúdio ’Abstenção’ Cabral... E essa história de que foi o Riva que não autorizou é balela! O chefe-mor do PP, teria deixado os três pepistas da Câmara à vontade para agirem conforme mandam suas respectivas consciências.

Sem falar que, as bocas miúdas andam sustentando por aí algo que faz muito sentido e que eu não acreditaria se não tivesse visto o que esses moços fizeram ao longo das dez horas que liquidaram o peemedebista Lutero:

Para o ex-presidente ser cassado, com o apoio do PSDB do prefeito, o PP do Deucimar teria deixado de assinar o requerimento para investigar a Saúde do prefeito, digo, para investigar a Saúde Pública que o prefeito oferece ao povo.

Aí o PSDB foi em peso na cassação [excetuando a infiel Lueci Ramos] enquanto que a CPI da Saúde, certamente a que seria mais importante de todo o contexto, não saiu do papel.

Só quero deixar claro aqui, que não sou contra CPI alguma ou cassação de quem quer que seja, especialmente dos aqui citados.

Só acho que o povo não agüenta mais o escandalizante ritmo de “trabalho” empregado pela Câmara de Vereadores, onde o nível de discursos e proposituras está achatado, ofuscado pela teia de ataques, ofensas e auto-acusações que mais mancham do que enobrecem esse legislativo.

Ilustra o que quero dizer, o fato de o principal projeto de lei apresentado neste ano na Câmara, ter sido a pífia proposta que altera o horário de almoço dos parlamentares, de autoria do pífio e quase sempre engraçado, Antonio Fernandes. E olha que, apesar disso, há gente séria lá no parlamento. Eu acho!

Fico aqui pensando, que resultado daria, numa pesquisa [séria] de opinião pública sobre a imagem do parlamento municipal em 2009, certamente, o ano mais improdutivo da história da Câmara Municipal?

Que venha um 2010 mais limpo no âmbito da gloriosa Casa de Leis do povo cuiabano e que isso reflita em bons projetos, boas leis... que os bravos guerreiros que esmurraram o balcão da tribuna, espetacularizando as CPIs, possam fazer o mesmo em prol da Saúde Pública, hoje um caos, que possam ajudar a melhorar o pior trânsito do mundo, que atualmente é o que existe aqui e que possam suscitar orgulho, ao invés de vergonha, ao povo cuiabano."